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Jovens espíritas inovam na ação para o bem

Fonte: Jornal Correio Fraterno - Edição 398 Agosto de 2004. 

Veja como jovens do movimento espírita se organizam e inovam na ação para o bem

Substituir a personalidade pela fusão dos seres, extinguir as misérias sociais, ampliar o amor aos irmãos em sofrimento. Essa sempre foi a mola que impulsionou a assistência social do movimento espírita, principalmente depois da década de 40, quando fora publicado Nosso Lar, o primeiro livro da série André Luiz, trazendo novo modelo de assistência, baseado na promoção humana. Foi nessa época que muitas entidades filantrópicas tiveram origem no Brasil.

Lares de crianças, abrigos para idosos, distribuição de sopas e sacolas de Natal são algumas das realizações que, ao longo dos anos, tomaram parte da rotina de muitos espíritas de todas as idades. Até hoje, têm sido o beabá no quesito aprender a se doar.

Essa parece que foi a lição apreendida por um grupo de jovens que se conheceram na mocidade de um grupo espírita e que desde muito novos se ingressaram na caravana a qual, semestralmente, visita a Cidade da Fraternidade, a 230 km de Brasília. São convidados a participar do encontro todas as casas espíritas filiadas à Oscal – Organização Social Cristã-Espírita André Luiz, órgão gestor da entidade. Desde quando foi instituída, em 1963, a Cidade da Fraternidade não só oferece assistência a crianças e jovens, em regime de lares-família, como mantém atividades de subsistência: com horta, padaria, produção de açúcar, pequenos negócios, movimentando a comunidade local.

Uma das realizações foi a criação do Educandário Humberto de Campos, que embora conte com uma das maiores bibliotecas da região, professores comprometidos com o sucesso da tarefa e convênio com o Estado de Goiás e a prefeitura da cidade, vive hoje a realidade da evasão escolar.

A frágil condição econômica da família e a falta de perspectiva de um futuro diferente, na visão dos alunos, fizeram com que o Grupo de Amigos de São Paulo se organizasse para encontrar uma forma para reverter esse quadro. Os dez integrantes da equipe passaram a elaborar e enviar atividades recreativas e pedagógicas para utilização em salas de aulas, incluindo a troca de correspondências entre o Grupo e os alunos.

Dentre todos os projetos já realizados, o que causou maior impacto, tanto aos estudantes como aos realizadores, foi a viagem de formatura, no início do ano, para os formandos do ensino fundamental e os alunos de melhor desempenho das turmas de 5a à 7a séries, envolvendo ao todo 12 alunos.

Para a implementação da idéia, o Grupo de Amigos não se restringiu a levantar fundos. Convidou os doadores a contribuir com suas próprias habilidades. Amigos cabeleireiros doaram uma manhã de embelezamento, sócios de clube asseguraram o bate-bola no final do dia. As refeições e os alojamentos foram garantidos por amigos e familiares do grupo, caracterizando uma ação de assistência personalizada, buscando proporcionar, acima de tudo, a auto-estima e a promoção humana.

Longe de ser um mero passeio, eventos como esse proporcionam o acesso a informações que podem ajudar estes jovens a conceber outra visão de mundo. "Tivemos a preocupação de mostrar não apenas o lado imponente e mágico de São Paulo, mas também os problemas sociais que a cidade enfrenta" – comenta Lílian Pellacani, integrante do Grupo.

Cultura e lazer caminharam juntos no decorrer dos sete dias de programação, incluindo passeio no Playcenter e ida ao cinema – lugar onde a maioria nunca havia estado. O melhor e mais esperado evento, sem dúvida, foi a ida à praia. Os jovens nunca haviam visto o mar e o  passeio causou muitas emoções. "Eles queriam saber se a água era realmente salgada! Muitos não resistiram: pularam com roupa e tudo! Outros levaram um punhado de areia como recordação" - comenta Íris Xaxá, uma das educadoras a acompanhar o grupo.

Passear pelo centro de São Paulo, fazer pequenas compras – principalmente para os irmãos que ficaram em casa – foi questão de honra para os jovens! Outro fato interessante: entre observações silenciosas e pequenos comentários, a visita ao Museu Paulista despertou o interesse da aluna Tamires dos Santos, 11 anos, para a importância da História que, deslumbrada com o que vira, indagou: "Isso é mesmo daquela época?", outros interesses foram despertados no grupo, como o de Diego Pereira, pelo alistamento nas forças armadas, ao ver a apresentação da Esquadrilha da Fumaça.

Andar de metrô, enfrentar a escada-rolante, conhecer o bilhete magnético e, por fim, ter a certeza de que podem haver construções no subsolo que não desmoronam, foi tão emocionante quanto visitar, mesmo que vazio, o Estádio do Morumbi. Não importa! Os convidados ao passeio entenderam que, assim como viram no espetáculo O Mágico de Oz, existem realidades muito diferentes das que vivemos hoje, que mais parecem fantasias. Enxergá-las e acreditar que elas podem se tornar realidade depende de cada um de nós. "Acredito que mostrar, principalmente aos jovens do interior de Goiás, que o mundo não se restringe ao hectare de terra onde vivem e que o ser humano é capaz de realizar outros milagres, é a melhor forma de sermos solidários com o nosso próximo." – avalia Alice Yabiku, diretora do Educandário Humberto de Campos.

Enquanto o grupo planeja a viagem do próximo ano e busca outras parcerias, os novos formandos, mais do que nunca, aguardam ansiosamente por sua realização. "Queremos cada vez mais aprimorar o projeto, sem perder de vista a doação humana que conseguimos através da participação ativa dos colaboradores" – avalia Celso Rodrigues, integrante do Grupo.

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